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20 de novembro de 2020
Notícia

O diálogo da igualdade

Redação: Rogério Santos

“…Ah Celie, a incredulidade é uma coisa terrível…”. Quando Alice Walker lançou em 1982 o livro “A cor púrpura”, rompeu o cenário do discurso da pigmentação da pele ao aplicar uma terminologia usada então até hoje no meio social: o colorismo, fazendo uma ligação paralela entre as (des)vantagens de nuances de cor evidentes e “mescladas”. Assim, exclusão e discriminação são evidentes: exclusão, por privar indivíduos de determinadas funções e discriminação, ação ou efeito de separar ou pôr à parte.

Fazer parte de uma minoria é sofrer uma violência quase que diária e, toda vez que essa ferida está perto de cicatrizar, algum novo episódio acontece e abre novamente. Assim, como podemos afirmar o diálogo da igualdade através da consciência negra? Como compreender melhor o cenário social que impõe um padrão de imagem e de aceitações? Quanto de melanina é necessário para definir a negritude de alguém?

Reconhecer passagens: são 130 anos de abolição social! Certificar comprometimento: negros foram capturados, escravizados e tratados como mercadorias para construírem uma nação. Comprovar contribuições: apresentar resistência através das histórias que a História não conta. Além de tudo isso, reafirmar o diálogo da igualdade equilibrando as oportunidades: não escolhemos ser escravos, nos tornamos à custa de violência física e moral.

Apesar de tudo - obtemos nossa liberdade formal - continuamos carregando uma imagem vinculada à suposta aparência diferente, onde a negritude é tratada como se fosse algo opcional, algo errado. Assim, nossa constituição foi realizada a partir de um discurso que considera a prática da miscigenação como um equívoco, que colocou os negros num patamar inferior ao do homem branco, mas que ao mesmo tempo, os colocou num lugar que ofereceu oportunidades. Dessa forma, ensaios sociais surgiram (e ainda surgem): o Obama (o influenciador Barack), o Mandela (o inspirador Nelson) e o Marley (o provocativo Bob).

Também o Morgan (o talentoso Freeman), a Davis (a educadora Ângela), o Wonder (o inovador Steve), o Charles (o insistente Ray), a Holiday (a empoderada Billie), sem contar no Nascimento (o esperançoso Milton); a Soares (a forte Elza), o Gil (o inclusivo Gilberto), a Sá (a potente Sandra) e tantos outras referências negras que prestigiamos, referenciamos e aprendemos a respeitar.

Por isso é tão significativo descortinar uma série de eufemismos para que possamos ver uma sociedade equilibrada, onde os cidadãos, de fato, discursem de uma maneira frontal temas como “nós somos racistas porém, o que podemos fazer quanto cidadãos para mudar isso?”.

Grupo Real – valorizando a igualdade